quinta-feira, 7 de julho de 2016

Itambé


















Sob o denso matiz da serra
O manto das cabeceiras
Emborca o olhar cerrado
Nos sulcos áridos da terra.

A névoa corre nas escarpas
E se encaixa nas brechas,
Na confluência pensa
Das vontades encobertas.

A lucidez irrompe no Itambé,
Penetra os grotões esparsos
E o rompante dos regatos
Atravessa a cerração.

Mas é no campo alto da serra
Onde as flores se amontoam
E os caminhos se descerram
Que a rigidez escoa e nos enreda.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Teatro de sombras


Pastel seco sobre papel


Entra a noite
Entre paredes
E tudo se move.
Não percebe
O impossível
Nessas formas?
Seu rosto
Sem qualquer traço
Prestes a desafiar
A incolumidade
Das sombras.
















sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Primeira chuva

Pastel seco sobre papel



























Meu coração não é mais forte que o seu
Ele se dobra no peito, em silêncio,
Acende meus olhos nas órbitas da noite
E enche as veredas frágeis de minhas veias.

Pulsa a pálida estrela em terno instante
Cadente, desfeita sobre nuvens cinzentas
Espalmado verso que seu nome alcança
Feito criança em meio à chuva lisonjeira.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sete-dores




















Volta e meia voltava para casa
Com as plantas no bolso do vestido:
- Sete-dores é bom para o estômago -
Repetia com emoção.

O cão acompanhava o cortejo
Havia entre eles um entendimento singular
Formado pelo ângulo de suas cabeças
Ao se entreolharem.

Radiava esse acordo velado, sem palavras,
Até que não lhe poupou a língua aflita:
- Você tá com cara de quem vai morrer
E espero que seja longe de casa.

Eles já se haviam decifrado
Era manifesto o que lhes pertencia
Partir era quase que acompanhar
Cada passo com devoção.

Com as plantas entre as mãos
Ela ainda voltava para casa:
- Sete-dores é bom,
Cura quase tudo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013